Arquitetura e design de interiores: Sequeira Dias arquitetos
Localização: Ponta Delgada, São Miguel, Açores, Portugal
Ano de conclusão: 2026
Promotor: Bensaude Hotels
Engenharia: Eng. Renato Leça; Eng. Bruno Pacheco
Construção: Grupo R, Lda.
Decoração / styling: Laço Interiores – Leonor Sousa Lima; Sequeira Dias arquitetos
Paisagismo: SuperBotânica
Materiais e acabamentos: Porcelanosa; Parklex Prodema; Vitropor
Equipamentos SPA: Sorisa
Fotografia: Francisco Nogueira
Sequeira Dias arquitetos reinterpreta a identidade marítima do Grand Hotel Açores Atlântico através de uma sequência de interiores onde a nogueira, o travertino, o mármore verde e a água estabelecem diferentes formas de recolhimento.
Uma piscina escura reflete paredes de travertino, painéis de nogueira e discos de luz. Esta composição sintetiza o projeto do SPA do Grand Hotel Açores Atlântico, em Ponta Delgada, concebido pelo atelier Sequeira Dias arquitetos. A água não é apenas um elemento do programa: participa na arquitetura, prolongando superfícies e alterando a perceção da profundidade do espaço.
A intervenção parte da identidade marítima do hotel, associada à história da navegação do Grupo Bensaúde. A atmosfera dos interiores dos paquetes de meados do século XX e as referências mid-century orientam o projeto, sem se traduzirem em motivos náuticos literais. Essa memória manifesta-se na continuidade das carpintarias, nas transições curvas, no ritmo da iluminação e na presença discreta do latão. O novo interior estabelece, assim, uma relação de continuidade com o hotel existente.
O programa reúne receção e loja, ginásio, balneários e instalações sanitárias, salas de tratamento individual e duplo, sala de relaxamento, piscina interior, sauna e banho turco. Em vez de atribuir uma linguagem distinta a cada função, o projeto trabalha um vocabulário comum, ajustando a presença dos materiais e da luz à intimidade de cada espaço.
Na receção, o balcão de contorno arredondado prolonga os revestimentos em nogueira. Uma estante de nichos iluminados, com fundo em pedra, reúne cerâmicas e produtos, integrando a loja no desenho do espaço. As portas alinham-se com os painéis de madeira, enquanto as superfícies curvas acompanham as mudanças de direção. Parede, porta e mobiliário são tratados como partes de uma mesma composição.
Os percursos alternam entre passagens envolvidas por madeira e zonas abertas à luz natural. Painéis de vidro texturado, enquadramentos metálicos de tom latão e cortinas translúcidas permitem separar ambientes sem interromper inteiramente a passagem da luz. Junto aos envidraçados, a vegetação introduz uma relação próxima com o exterior, filtrada em vez de panorâmica. A privacidade constrói-se através destas sucessivas camadas, e não apenas pelo encerramento das salas.
Na piscina, o travertino estende-se pelas paredes, pelo pavimento e pelo banco longitudinal, definindo uma envolvente clara. Uma faixa de mármore Verde Alpi acompanha o perímetro da água, acentuando a sua tonalidade profunda. Em repouso, a superfície reflete os planos de pedra e madeira; quando as três bicas metálicas entram em funcionamento, essa imagem é interrompida pelo movimento da água. A relação entre planos minerais e reflexo recupera uma das referências do projeto, o Pavilhão de Barcelona, transposta para a escala interior do hotel.
As salas de tratamento retomam a combinação de nogueira e mármore verde numa escala mais íntima. Os veios da pedra tornam-se o principal desenho das paredes, contrastando com os tecidos claros e as superfícies escuras dos lavatórios. Numa das salas, uma banheira branca de volume autónomo destaca-se diante do mármore. A luz natural, mediada por cortinas, aproxima estes espaços de um ambiente doméstico, preservando o seu recolhimento.
Na sala de relaxamento, o pavimento de madeira com desenho em V, as espreguiçadeiras claras e o mobiliário baixo suavizam o caráter mineral das áreas de água. O ginásio prolonga esta base material, com superfícies espelhadas que ampliam visualmente o espaço. Nos balneários, a associação entre pedra clara, bancos de madeira e pequenos elementos metálicos mantém a continuidade do conjunto. A sauna e o banho turco completam o programa, integrados na área da piscina.
A iluminação acompanha estas variações: apliques circulares desenham halos sobre a nogueira, a luz integrada revela a textura dos nichos e os reflexos prolongam a composição sobre a água. A identidade do SPA resulta desta continuidade entre escalas, do desenho de uma bica à organização do percurso. A memória marítima permanece presente, não como cenário, mas como uma forma de articular matéria, movimento e repouso.
© 2025 Sequeira Dias – Arquitectos. Todos os direitos reservados. Designed by RED.